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Portugal à Lupa

Há 13 anos a calcorrear o País como jornalista, percebi há muito que não valorizamos, como devíamos, o que é nosso. Este é um espaço que valoriza Portugal e o melhor que somos enquanto Povo.

Portugal à Lupa

Há 13 anos a calcorrear o País como jornalista, percebi há muito que não valorizamos, como devíamos, o que é nosso. Este é um espaço que valoriza Portugal e o melhor que somos enquanto Povo.

Vilarinho da Furna: Museu Etnográfico recua 40 anos e recria vivência da aldeia submersa

Há 45 anos a aldeia minhota de Vilarinho da Furna, Terras de Bouro, foi submersa pelas águas da barragem com o mesmo nome. Mais de quatro décadas volvidas, o Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna recupera memórias da localidade e apresenta a povoação com as suas tradições pastoris, agrícolas e o património das 53 famílias que, em 1972, foram obrigadas a abandonar a sua terra para os concelhos vizinhos.

 

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Vilarinho da Furna era povoação da freguesia de São João do Campo, concelho de Terras de Bouro, entre as serras Amarela e do Gerês. Uma localidade que vivia na confluência do Ribeiro das Furnas e do rio Homem.

 

Em torno da localidade situavam-se, exuberantes, os campos agrícolas, as pequenas hortas. Nelas, a população desenvolvia atividades económicas, sustento da comunidade.

 

Com a construção da barragem, inaugurada em Maio de 1972, a aldeia e toda a área envolvente ficou submersa, obrigando a população a abandonar as suas casas, deslocando-se para os concelhos vizinhos (como Amares, Braga, Póvoa de Lanhoso, Guimarães, Barcelos, Ponte da Barca, Viana do Castelo ou Ponte de Lima).

 

Em pouco tempo Vilarinho da Furna, desaparecia na paisagem, submersa pelas águas. Extinguia-se um modo de vida e uma comunidade.

 

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Dez anos volvidos, nascia em 1981 o Museu Etnográfico dedicado a esta localidade. Um projeto de Manuel de Azevedo Antunes, Presidente da Associação dos Habitantes de Vilarinho da Furna (FURNA) e antigo habitante da povoação.

 

Hoje, o espaço procura ser uma «mostra viva» daquilo que foram as tradições, atividades e costumes locais. O próprio núcleo expositivo foi construído com objetos originais e pedras retiradas da aldeia, como nos explica fonte dos serviços da instituição.

 

«É outra forma de conhecer a aldeia que, em tempo seco e quando o rio desce, aparece na margem da albufeira», adianta a fonte contactada.

 

No museu, o visitante conta com um acervo que retrata «os últimos anos (1940 - 1970)», composto pela memória fotográfica do território e da gente que habitava a localidade.

 

Uma viagem que resulta do trabalho etnológico feito nos anos de 1940 pelo etnógrafo Jorge Dias, e do qual resultou a monografia “Vilarinho da Furna - uma aldeia comunitária”.

 

Também o fundador do museu, Manuel de Azevedo Antunes, retratou parte da memória ali depositada, e realizada na altura da construção da barragem. Imagens e memórias que podem ser contempladas no espaço.

 

Existem igualmente objectos que foram oferecidos pelos antigos habitantes e textos de várias personalidades das áreas da cultura e ciência que sobre este lugar escreveram, entre elas Jorge Dias, Miguel Torga, Francisco José Veloso e Manuel de Azevedo Antunes.

 

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Um espaço que conta com uma área de 430 me que consagra dois pisos. No rés-do-chão do edifício é possível contemplar um espólio que retrata a vida da comunidade. Já no primeiro andar, textos e fotografias mostram a vida económica local, nos campos agrícolas, com mostra in loco de alfaias agrícolas.

 

Neste piso há ainda uma sala dedicada às tradições, culturais e religiosas, e aos saberes-fazeres da comunidade, com destaque para a tecelagem.

 

Mas também a lida da casa, a confecção do pão, o ciclo do linho são retratos de uma vida em comunidade, estas últimas confiadas às mulheres, que ajudavam também na pastorícia e nos campos agrícolas.

 

Paralelamente, o museu organiza atividades de Educação Ambiental, visitas guiadas a grupos escolares, associações e outras entidades de todo o país.

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