Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Portugal à Lupa

Há 13 anos a calcorrear o País como jornalista, percebi há muito que não valorizamos, como devíamos, o que é nosso. Este é um espaço que valoriza Portugal e o melhor que somos enquanto Povo.

Portugal à Lupa

Há 13 anos a calcorrear o País como jornalista, percebi há muito que não valorizamos, como devíamos, o que é nosso. Este é um espaço que valoriza Portugal e o melhor que somos enquanto Povo.

Museu Natural da Eletricidade: em Seia, há um século, a luz brilhou na Estrela

Nas margens do rio Alva, a menos de uma dez quilómetros de Seia, situa-se o Museu Natural da Eletricidade. Na região, no início do século XX, os homens perceberam que a água, que caía sob a forma de «tapetes» de neve e películas de gelo, e que corria serra abaixo, podia ser aproveitada para gerar eletricidade. Visitamos o espaço, nas antigas instalações da Central Hidroelétrica da Senhora do Desterro. Esta, desde abril de 2011, funciona como espaço museológico.

IMG_0385.jpg

 Fotos: Ana Clara

Quando chegamos às antigas instalações da Central da Senhora do Desterro, a 800 metros de altura, na serra, a paisagem que se nos depara revela bem a força da montanha e as potencialidades que, há muito anos, as populações dela retira.

 

Uma delas, bem visível, é a água, fonte de vida e sustento na região. Água que corre a «olho nu» na Mata do Desterro, zona natural protegida onde os caminhantes têm à disposição vários percursos pedestres. Água que, em cascata, corre incessantemente, seguindo o seu curso natural, e desce desde os pontos mais altos da serra até ao leito dos rios.

 

É aqui que encontramos o Museu Natural da Eletricidade de Seia, aberto deste abril de 2011. Uma mostra que conta a história secular de uma das mais antigas centrais de produção de energia do país: a Senhora do Desterro.

 

O Homem viu neste lugar uma oportunidade de desenvolvimento, cuja primeira pedra foi lançada em dezembro de 1909, dia em que a luz da Estrela brilhou pela primeira vez. «Homens que imaginaram que a força da água produziria eletricidade que havia de modernizar e desenvolver a região, a indústria dos lanifícios, as minas e a instalação de muitas outras indústrias». Palavras que escutamos na sala do rés-do-chão do edifício, onde passa um vídeo sobre a história deste lugar.

 

IMG_0408.jpg

 

«Divulgar o património tecnológico, natural, social e cultural desta central é um dos objetivos do espaço», conta João Marques, funcionário do Museu, que nos acompanha numa visita guiado.

 

Água, recorda o responsável, que «significava progresso» e que havia de produzir luz há mais de cem anos. Uma história que começa em 1907, com o início da construção da primeira central e, logo de seguida, com a constituição da Empresa Hidroelétrica Serra da Estrela. António Marques da Silva foi o industrial que impulsionou a exploração da energia elétrica nesta região fazendo com que Seia tivesse ficado inscrita nas páginas da história como uma das primeiras localidades do país a ter energia elétrica.

 

Primórdios

 

O espaço museológico ocupa o rés-do-chão e o primeiro andar do edifício. Logo à entrada, no rés-do-chão é possível conhecer, na Sala das Máquinas, quatro turbinas e geradores que, nos primórdios da Central, produziam eletricidade para toda a região serrana.

 

Para os amantes desta área está exposto um exemplar de um quadro elétrico, considerado uma referência para os técnicos eletrotécnicos.

 

Também aqui está patente, numa sala de exposições temporárias, várias fotografias de construção de barragens na serra, bem como de condutas e postes de eletricidade. É também possível aceder a um quiosque multimédia com depoimentos de antigos funcionários da central da Senhora do Desterro e que narram a centenária vida do espaço.

 

Subimos ao primeiro andar e percorremos várias salas dedicadas aos mais pequenos, onde os visitantes, miúdos mas também graúdos, podem experienciar acções relacionadas com a eletricidade.

 

IMG_0388.jpg

 

João Marques recorda que ao longo de 60 anos foi construído um sistema de centrais hidroelétricas em cascata, que percorrem entre 400 e 1600 metros, com os caudais no verão regulados com as águas da barragem da Lagoa Comprida, entre outras.

 

Contudo, foi em 1907, que se deu início à construção da Central da Senhora do Desterro, seguindo-se em 1919 a da Ponte de Jugais (na Guarda), a de Vila Cova, no concelho de Seia (1937) e mais tarde a do Sabugueiro, também no concelho de Seia. Todos estes aproveitamentos hídricos «revelaram-se essenciais para o desenvolvimento da eletrificação da região», vinca aquele funcionário.

 

A Central da Senhora do Desterro laborou até 1994, tendo o Museu sido inaugurado em abril de 2011, numa parceria entre a Câmara de Seia e a EDP.

1 comentário

Comentar post