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Portugal à Lupa

Há 13 anos a calcorrear o País como jornalista, percebi há muito que não valorizamos, como devíamos, o que é nosso. Este é um espaço que valoriza Portugal e o melhor que somos enquanto Povo.

Portugal à Lupa

Há 13 anos a calcorrear o País como jornalista, percebi há muito que não valorizamos, como devíamos, o que é nosso. Este é um espaço que valoriza Portugal e o melhor que somos enquanto Povo.

Lisboa: viagem ao artesanato português na Casa Bordados da Madeira

Bordados à mão da ilha da Madeira, de Viana do Castelo, Açores ou da Lixa. Cerâmica pintada à mão de Coimbra, Alcobaça e Alentejo. Trajes regionais e acessórios de folclore. Estas são apenas algumas das inúmeras peças em mostra e venda na Casa Bordados da Madeira, em plena Baixa de Lisboa há mais de 50 anos. «Tudo produto nacional e genuíno».

 

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Na rua, o bulício comum da Baixa lisboeta. Turistas sobem e descem a Praça dos Restauradores, com o vagar que o passeio impõe. Já os portugueses, uns mais atarefados que outros, correm apressados, avenida acima e abaixo.

 

Dirigimo-nos à Casa Bordados da Madeira, conhecida como ponto de paragem para quem procura artesanato com cunho tradicional na cidade de Lisboa. A loja, localizada no edifício do hotel Avenida Palace, entre a estação de comboios do Rossio e os Restauradores, é facilmente identificada ao longe. Os toldos, pintados com as cores da bandeira portuguesa, indicam que aqui o produto é tradicional.

 

Nas montras, bordados, peças em cerâmica pintada à mão de Coimbra, Alcobaça e Alentejo, exemplares de trajes e fatos regionais. À entrada, os manequins vestem a rigor, exibindo trajes regionais da Madeira e de Viana. Já dentro de portas, no espaço amplo da casa, mais trajes e bordados de norte a sul do país.

 

Fátima Antunes, há 30 anos funcionária da Casa Bordados da Madeira, recebe-nos e acompanha a nossa reportagem na visita ao mundo deste estabelecimento comercial, que terá aberto as portas entre as décadas de 1960/70.

 

«Não sabemos muito bem a data mas será por essa altura», afirma Fátima, que começa por mostrar a vasta banca de bordados disponíveis na loja.

 

«Os bordados de Viana (do Castelo) são dos produtos mais procurados», adianta a funcionária, que, garante, «são genuinamente tradicionais, certificados, trabalhados pelas bordadeiras locais e encomendados consoante os pedidos».

 

De acordo com a responsável, os bordados de Viana «são bastante procurados» nomeadamente por turistas «que conhecem a loja há muitos anos e sempre que regressam a Lisboa, voltam cá».

 

Lenços de namorados, xailes regionais, toalhas de mesa em linho de Ponte de Lima, lenço regional de Viana com franja em lã, mas também os bordados da Madeira, dos Açores ou da Lixa (região do Vale do Sousa) estão expostos ao longo das longas bancadas da loja, bem como trajes regionais da Madeira e de Viana para todos os tamanhos.

 

«Não há muito quem faça trajes hoje em dia, sobretudo em Lisboa, sendo que os de Viana e da Madeira são os mais conhecidos e são os que os nossos emigrantes mais compram», sublinha Fátima, realçando que todas as «peças estão identificadas como produto tradicional português».

 

Numa extensa vitrina os visitantes podem ainda adquirir vários artigos em filigrana, mas também peças decorativas com azulejos, faianças da Bordallo Pinheiro e peças em cerâmica.

 

Fátima Antunes garante que o sucesso da Casa Bordados da Madeira «deve-se essencialmente à qualidade e ao facto de todos os produtos serem tradicionais e genuinamente portugueses».

 

Ao contrário de muitas outras lojas, «de portas abertas na cidade e que se dizem de artesanato, mas aquilo é tudo menos português».

 

«Isso prejudica a qualidade de quem projeta e promove os produtos nacionais porque para se ter sucesso é preciso muito esforço, é certo, mas sem verdade e qualidade, não há garantia para ninguém que esteja neste negócio», alerta a funcionária.

 

A Casa Bordados da Madeira, fundada por um madeirense que veio para a capital nos anos 50 do século XX, «sempre foi muito direcionada para o turista», sobretudo o europeu e americano, afirma Fátima Antunes, acrescentando que «ainda hoje essa estratégia se mantém».

 

Contudo, salienta, «nos últimos anos os portugueses já começaram a dar valor ao que é seu e também entram e compram».