Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Portugal à Lupa

Há 13 anos a calcorrear o País como jornalista, percebi há muito que não valorizamos, como devíamos, o que é nosso. Este é um espaço que valoriza Portugal e o melhor que somos enquanto Povo.

Portugal à Lupa

Há 13 anos a calcorrear o País como jornalista, percebi há muito que não valorizamos, como devíamos, o que é nosso. Este é um espaço que valoriza Portugal e o melhor que somos enquanto Povo.

Lisboa: a história de um museu contada sobre carris

Inaugurado em 1999 o Museu da Carris conta a história da Lisboa do transporte público desde o final do século XIX até aos dias de hoje. Desde 1872, ano em que a Carris foi fundada, que o percurso da empresa de transportes lisboeta acompanhou a evolução da capital. Embarcámos numa viagem de memórias com elétricos, ascensores, autocarros e metropolitano. Um espaço que não esquece o fulgor de outros tempos.

Museu Carris 120jpg.jpg

 

Texto e Fotos | Ana Clara

 

A Rua 1.º de Maio, junto ao Calvário, é um bulício diário, fazendo jus à história que se conta no n.º101, onde o visitante pode contemplar um percurso com mais de cem anos, o da Carris e dos seus meios de transporte.

 

Franquear as portas do Museu da Carris, inaugurado a 12 de janeiro de 1999, é como entrar numa máquina do tempo, numa viagem retrospetiva ao encontro da cidade e da sua natural evolução e desenvolvimento.

 

O primeiro núcleo do museu aborda os primórdios da história da empresa. Fá-lo através de um vasto acervo de fotografias, uniformes, títulos de transporte, equipamentos de oficina, documentos e réplicas de «Americanos», elétricos e autocarros. Isto não esquecendo fotos dos históricos ascensores do Lavra, Glória e Bica, elevador de Santa Justa, mas também da eletrificação da rede de transportes. Uma mostra que inclui peças ligadas às obras de modernização da rede, planeada no final do século XIX e levada a cabo nos primeiros anos do século XX.

Uma aventura que começou a 18 de setembro de 1872 quando, no Rio de Janeiro, era fundada pelos irmãos Luciano e Francisco Maria Cordeiro Sousa (naturais de Mirandela) a Carris. Uma empresa que pretendia, à época, implantar na capital portuguesa um sistema de transporte do tipo americano, ou seja carruagens movidas a tração animal deslocando-se sobre carris.

 

Volvido um ano (novembro de 1873) seria inaugurada a primeira linha de «Americanos», num troço que se estendia entre Santa Apolónia e a zona de Santos.

 

O serviço dos famosos elétricos chegaria já no início do século XX (agosto de 1901). Entretanto, a rede de autocarros seria inaugurada muitos anos depois, em abril de 1944.

 

Do final do século XIX à atualidade, o visitante fica a conhecer a evolução de uma empresa, seja através dos transportes, seja nos uniformes dos funcionários, instrumentos de trabalho da época, mapas das redes de elétricos e autocarros.

Museu Carris 13.jpg

  

Fruto da recente fusão da Carris com o Metropolitano de Lisboa, o museu dedica uma sala ao metro, num período que medeia entre a instalação dos primeiros troços, em 1959, até à atualidade.

                                                           

Daqui seguimos para a segunda parte da visita, feita num velhinho carro elétrico (que faz parte da coleção do museu) que conduz o visitante até às oficinas. Nestas, encontram-se antigas viaturas da Carris, como os famosos «Americanos», os elétricos e alguns exemplares de autocarros que atravessaram todo o século XX.

 

A média anual de visitantes do museu ronda os 11 mil. 

 

Questionado sobre a reação dos visitantes, Miguel Sousa realça que «tem sido muito boa, principalmente desde a reabertura em Dezembro de 2013, quando o Núcleo I e II sofreram algumas alterações tanto a nível de infraestruturas com a nível museológico».

 

«O público nacional gosta de recordar os autocarros e as viagens feitas neles, os estrangeiros adoram fazer o trajecto de elétrico e conhecer a história deste ícone da cidade», adianta.

 

Por fim, o responsável salienta que «é muito importante para a Carris ter um museu não só para preservar e conservar o seu valioso acervo, mas também divulgar o papel da empresa como parte integrante e imprescindível no desenvolvimento da cidade de Lisboa».

 

E conclui, afirmando que «a cidade de Lisboa tem uma longa história e só no museu é que podemos fazer esta emocionante viagem no tempo, contando histórias do quotidiano de um povo que ficam retidas na memória da cidade e dos veículos da Carris que a percorrem».