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Portugal à Lupa

Há 13 anos a calcorrear o País como jornalista, percebi há muito que não valorizamos, como devíamos, o que é nosso. Este é um espaço que valoriza Portugal e o melhor que somos enquanto Povo.

Portugal à Lupa

Há 13 anos a calcorrear o País como jornalista, percebi há muito que não valorizamos, como devíamos, o que é nosso. Este é um espaço que valoriza Portugal e o melhor que somos enquanto Povo.

Cortiça complementa economia rural na Serra da Lousã

A extração de cortiça constitui uma atividade sazonal com importância económica, na Serra da Lousã, onde a indústria transformadora chega a pagar 10 euros por cada arroba (15 quilos) do produto.

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A centenas de quilómetros dos montados de sobro e azinho que dominam a paisagem a sul do Tejo, numa zona onde novos eucaliptais não pararam de surgir nos últimos anos, o sobreiro ('Quercus suber') sobrevive aos fatores que mais têm destruído a floresta autóctone.

 

De nove em nove anos, como previsto na lei, a recolha e comercialização da cortiça "pode funcionar como complemento de outras atividades" e dar algum rendimento às populações rurais, disse à agência Lusa o biólogo Carlos Fonseca.

 

Na Serra da Lousã, como em toda a região Centro, o sobreiro está junto às povoações, na berma de vias onde a extinta Junta Autónoma de Estradas plantou muitas dessas árvores, no século XX, entre pinhais moribundos afetados pelo nemátodo e outras pragas, em baldios do povo ou em terrenos privados.

 

Exemplares centenários, perdidos na paisagem, são relíquias de uma floresta mediterrânica que quase desapareceu em Portugal.

 

Apesar do abandono do interior montanhoso, que se acentuou depois da II Guerra Mundial, manchas de sobreiros e outras folhosas têm resistido aos incêndios e ao avanço de mimosas e outras invasoras.

 

Carlos Fonseca contabiliza quase 200 sobreiros nas parcelas de terreno que possui em São Pedro de Alva, concelho de Penacova e distrito de Coimbra, onde tem investido também na criação de medronheiros.

 

A plantação de sobreiros "pode ser uma boa aposta" com interesse económico futuro e que contribuirá para a sustentabilidade ambiental e a preservação da biodiversidade.

 

"É uma árvore adaptada ao ecossistema mediterrânico e que continua viva depois dos incêndios", salienta.

 

Lusa/Portugal à Lupa