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Portugal à Lupa

Há 13 anos a calcorrear o País como jornalista, percebi há muito que não valorizamos, como devíamos, o que é nosso. Este é um espaço que valoriza Portugal e o melhor que somos enquanto Povo.

Portugal à Lupa

Há 13 anos a calcorrear o País como jornalista, percebi há muito que não valorizamos, como devíamos, o que é nosso. Este é um espaço que valoriza Portugal e o melhor que somos enquanto Povo.

Aquário Vasco da Gama: a montra centenária do mar português

A 8 de junho comemora-se o Dia Mundial dos Oceanos. A propósito da data mergulhamos, há um ano, no histórico Aquário Vasco da Gama, no Dafundo, local que há mais de um século faz parte do imaginário de sucessivas gerações. Aqui reside o escaparate dos patrimónios histórico e científico da coleção oceanográfica do Rei D. Carlos, o principal impulsionador do projeto. O Aquário, com 350 espécies animais e vegetais, em água salgada e doce, conta ainda com uma significativa mostra da fauna e marinha portuguesas.

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«Ao começar as minhas campanhas oceanopgaphicas, dediquei-me desde logo quasi ao estudo dos peixes que obtive, e fui levado principalmente a esta especialisação de estudo, por ver a grande importância das pescarias na nossa costa, e acreditar, que, talvez, por um estudo methodico da distribuição e das epochas da passagem das diferentes espécies nas nossas aguas, melhores resultados ainda pudessem ser obtidos».

Rei D. Carlos

 

Na Rua Direita, no Dafundo, concelho de Oeiras, mesmo ao lado da marginal que liga a cidade de Lisboa a Cascais, ergue-se um edifício «que está no imaginário de todos nós», como aponta Paula Leandro, bióloga e responsável pelo departamento de divulgação cultural do Aquário Vasco da Gama.

 

O edifício, em tons de amarelo, dá uma dupla saudação de boas-vindas ao visitante, seja com o cumprimento da estátua de Vasco da Gama, ou com a animação das várias carpas que moram no lago do jardim, na entrada principal, assim que pressentem presença humana por perto.

 

O projeto deste aquário, impulsionado por D. Carlos (1889 - 1908), que herdou o cognome de O Diplomata (e o rei que gostava do mar), viu a luz do dia a 20 de maio de 1898, numa cerimónia de grande impacto público, e na presença da família real e diversas individualidades da época.

 

Foi um dos primeiros aquários públicos do mundo a abrir as portas, conta Paula Leandro, tendo a sua construção sido ordenada pela Comissão Executiva da celebração dos 400 anos da partida de Vasco da Gama para a viagem do descobrimento do caminho marítimo para a Índia.

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Depois dessa data, e até ao final do século XIX, «passou por vários altos e baixos» sendo que em 1901 o Aquário foi entregue à Marinha de Guerra portuguesa, mantendo-se até hoje na esfera desta tutela como organismo cultural e centro de divulgação da vida aquática.

 

Desde a abertura, o espaço exibia apenas espécies vivas, sendo alargado a partir de 1935 com o espaço do Museu e integrando deste então a coleção oceanográfica do monarca, e que também se notabilizou como naturalista.

 

Um século XX de transformações:

 

Durante a primeira metade do século XX, o Aquário viveu várias transformações. Em 1919 passou a integrar uma estação de biologia marítima, com o objetivo de divulgação e de investigação. Em 1940, com a construção da estrada marginal Lisboa-Cascais, o «edifício seria amputado em cerca de um terço da sua área, tendo desaparecido a estação de biologia (que passaria mais tarde para o Cais do Sodré e viria depois a dar lugar ao atual Instituto Português de Investigação do Mar) laboratórios, biblioteca, arrecadações e tanques de cultura», recorda Paula Leandro.

 

Desde a década de 50 até à atualidade, «mantém a missão de educação pedagógica e ambiental», persistindo na missão de sensibilizar os visitantes para conservação e proteção da Natureza», acrescenta a bióloga.

 

No Museu com cinco salas, e cuja visita se inicia no rés-do-chão do edifício,está patente o material recolhido por D. Carlos ao longo de 12 anos de campanha (1896-1907), que inclui animais conservados em meio líquido e naturalizados, e que tem servido de apoio à realização de diversos estudos científicos, nomeadamente sobre peixes e crustáceos.


A coleção oceanográfica do rei, que explorou cientificamente o nosso mar, inclui ainda instrumentos utilizados durante as campanhas a bordo do iate real “D. Amélia”, bem como documentação e bibliografia referentes à atividade científica desenvolvida pelo monarca, «representando uma mostra muito significativa da fauna e marinha portuguesas».

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Carlos, salienta Paula Leandro, dedicou-se inicialmente ao estudo dos peixes, «muito influenciado pela importância económica da indústria piscatória em Portugal», lembra Paula Leandro.

 

Porém, o soberano não se ficaria por aqui. Dedicou-se também ao estudo das correntes ou da topografia dos fundos marítimos, tendo inclusivamente chegado a reconhecer a existência de profundos vales submarinos próximo da costa, na região do Cabo Espichel.

 

No piso superior, encontra-se o salão nobre, construído entre 1913 e 1917 e atualmente designado por sala dos peixes. Daqui segue-se para a sala dos tubarões e para uma outra que exibe mais de 600 espécies de exemplares da fauna malacológica (moluscos) das costas portuguesas.

 

«O que existe no Museu são basicamente os animais que estão conservados em meio líquido, naturalizados e também réplicas em fibra de vidro. Temos uma mostra bastante diversificada daquilo que existe no nosso mar», refere Paula Leandro.

 

Aquário:

 

Quando passamos à zona do Aquário, encontramos 90 aquários e tanques, onde habitam 350 espécies marinhas vivas (animais e vegetais) e pertencentes aos mais variados grupos zoológicos e botânicos, provenientes de ecossistemas de água doce e salgada da costa portuguesa. Além disso há ainda espécies tropicais, de todas as zonas do planeta.

 

Destaque ainda para uma das salas que atrai a atenção dos visitantes, sobretudo dos mais pequenos, e onde se encontram duas otárias (mamíferos marinhos) da África do Sul.

 

Atualmente trabalham no Aquário meia centena de pessoas, entre oficiais e civis da Marinha portuguesa. De acordo com Paula Leandro, 35% das visitas são escolares, sendo que, em média, por ano, visitam o espaço entre 55 a 60 mil pessoas. «Números que se mantêm estabilizados desde o ano 2000», informa.

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Apesar de não dispor de valores quanto ao custo de manutenção do Aquário, a responsável sublinha que esta «é uma questão muito importante para manter o espaço em excelentes condições».

 

«A qualidade da água do circuito tem vindo a melhorar muito. E a preocupação é manter os padrões da água em bons níveis. Existe uma rotina de análises que é feita em determinados pontos. Os filtros e sistemas todos estão preparados para funcionar bem. E são múltiplos os fatores que é preciso manter, desde a alimentação dos animais, à iluminação terminando no tipo de habitat, que é totalmente reconstruído. Tem de ser tudo conjugado globalmente», explica.

 

Há ainda uma galeria destinada a divulgar temas no âmbito da Ecologia Aquática e uma nova exposição sobre a Cadeia Alimentar.

 

Nos últimos anos, o Aquário Vasco da Gama promove alguns projetos pedagógicos, entres eles, o de seis quiosques multimédia, com a chancela da Unidade Ciência Viva do Ministério da Ciência e Tecnologia, e que permitem aos visitantes a consulta de informação no âmbito da Biologia Aquática.

 

O espaço promove ainda um programa de voluntariado e um programa de festas de aniversário, que proporciona um dia diferente, e que inclui uma visita ao Aquário, dar comida às coloridas carpas no tanque do jardim ou assistir à alimentação das otárias.