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Portugal à Lupa

Há 13 anos a calcorrear o País como jornalista, percebi há muito que não valorizamos, como devíamos, o que é nosso. Este é um espaço que valoriza Portugal e o melhor que somos enquanto Povo.

Portugal à Lupa

Há 13 anos a calcorrear o País como jornalista, percebi há muito que não valorizamos, como devíamos, o que é nosso. Este é um espaço que valoriza Portugal e o melhor que somos enquanto Povo.

Algarve: a paciente cozinha do Sul

No barrocal algarvio cozinha-se sem pressas. De Alcoutim a São de Brás de Alportel, a gastronomia com ares de Mediterrâneo domina nas mesas dos restaurantes. Não faltam, também, sabores do rio e as famosas feijoadas e ensopados, que, outrora, eram alimento de sustento das gentes serranas para enfrentar cada jornada. Convidamo-lo a descobrir a paciente cozinha do Sul.

 

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Isabel Ribeiro, proprietária do restaurante «Cantarinha do Guadiana» (no Monte das Laranjeiras, em Alcoutim), uma antiga casa de pasto, confeciona há dez anos pratos regionais com sabor a barrocal. Aqui dominam os pratos do rio, ou não corresse o Guadiana mesmo à porta.

 

Isabel é também a cozinheira do espaço que gere nesta localidade raiana e explica que, aqui, a gastronomia local varia consoante a época do ano. Na primavera dominam as sopas de tomate, as ovas de saboga, as sopas do rio ou os ovos fritos com tomate. No verão é tempo dos peixes do rio que saem da grelha para a mesa, entre eles, o robalo, o linguado e a corvina.

 

Já no outono é tempo de os pratos de caça serem reis, com o coelho e a perdiz a serem os eleitos da época. Já no inverno chegam os pratos de porco.

 

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Depois há os pratos típicos da cozinha serrana que saem da cozinha de Isabel o ano inteiro: os cozidos, as feijoadas, as cabidelas e as célebres migas.

 

Já na doçaria são as receitas de alfarroba, amêndoa, figo e mel que prevalecem. «Tudo porque são os produtos locais que mais abundam por aqui», enfatiza Isabel.

 

Manter a tradição da confeção «é o segredo», diz a proprietária que critica as portagens na A22 (Via do Infante), que lhe roubaram muitos clientes. 

 

A cozinha do interior algarvio é toda ela centrada nos produtos endógenos, «algo que faz do negócio uma mais-valia local», considera também a Dona Martinha (como faz questão de ser tratada), do restaurante Adega Nunes, no Sítio dos Machados, em São Brás de Alportel.

 

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O espaço, onde outrora funcionou uma antiga adega, está povoado de objetos decorativos e utensílios tradicionais que transportam quem aqui entra para as tradições algarvias da agricultura e da serra.

 

Há 20 anos que aqui se come «comida caseira, tal como faziam as nossas avós no passado», afiança Dona Martinha.

 

A base é a «tradicional cozinha mediterrânica» e na ementa há pratos para todos os gostos. Desde massinha de peixe, jantar de grão, jantar de feijão, feijoada, coelho, porco, ensopado de borrego, pratos de cabidela ou javali.

 

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Sabores que «os portugueses adoram» e que «surpreendem os turistas, pouco habituados a este tipo de cozinha».

 

«Aqui cozinha-se como antigamente, sem pressas. Comecei a cozinhar, incentivada pela minha mãe, e há receitas que só resultam se mantivermos o segredo», conta Dona Martinha.

 

Os doces são, à semelhança da «Cantarinha do Guadiana», confecionados à base de amêndoa, alfarroba e figo.

 

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Por fim, visitamos o «Lagar da Mesquita» (na freguesia de Fonte da Mesquita, São Brás de Alportel). Depois de sete anos encerrado, o restaurante reabriu há oito meses. Aqui domina igualmente a cozinha mediterrânica (pratos de carne mas também as açordas e migas) num espaço onde funcionou um antigo lagar de azeite.